terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

GREGO E HEBRAICO PARA QUÊ?


Um velho rabino uma vez disse: "Ler a Bíblia em uma traduçao é como beijar sua noiva através do véu."[1]

Há algum tempo, decidi começar a estudar as línguas originais em que a Bíblia foi escrita. Confesso que no princípio não tinha em mente exatamente o nobre motivo de aprender com mais profundidade e clareza a Palavra de Deus. Lembro-me de um diálogo que tive com o Pr. Augusto Gouveia (que atualmente pastoreia uma igreja no Piauí) em que falei a ele, em tom de brincadeira, que queria aprender grego para não ser enganado por pregadores, que costumam apelar ao texto original durante os seus sermões. Ouço constantemente frases como: "O texto em grego dá a entender isso..." ou "uma tradução mais adequada seria...". Como não conheço os textos originais, não tenho opção a não ser acreditar no que ouço. Mas a medida que entrei em contato com o texto grego e hebraico, esse motivo deu lugar a um fascínio pelos idiomas bíblicos, um desejo profundo em adquirir o máximo de conhecimento das línguas que Deus escolheu para se comunicar com os seres humanos.

Felizmente, existem excelentes gramáticas para iniciantes disponíveis, mesmo em português. Entre elas convém destacar duas em especial: "Gramática do Hebraico Bíblico", de Allen P. Ross, e "Fundamentos do Grego Bíblico" de William D. Mounce. Ambas foram lançadas pela Editora Vida e são obras bem elaboradas e, em especial a gramática de Mounce, possuem uma didática excelente[2].

Mas vem a pergunta: por que estudar grego e hebraico se já dispomos de tão boas traduções em português? A esse respeito diz o Dr. Mounce diz:

As únicas pessoas que já ouvi dizerem que o grego não é importante são aquelas que pessoalmente não o conhecem. Coisa estranha, não é? Você pode imaginar que uma pessoa que nada sabe a respeito do tênis vá dizer que nunca é necessário ter aulas de tênis? Isso não soa ridículo?[3]

De fato, o conhecimento, mesmo elementar, dos textos originais das Escrituras acende um desejo enorme de aprofundamento no texto sagrado, esclarece passagens conflituosas e possibilita ao crente acesso aos melhores comentários bíblicos disponíveis. Só quem ainda não viu a riqueza da análise a partir do grego de passagens como João 1.1 pode dizer que o conhecimento do grego é inútil.[4] I felizmente, é loucura imaginar que os crentes modernos, que não leem a Bíblia nem em português, estejam dispostos a estudar idiomas aparentemente tão complexos como o hebraico e o grego.

Quanto a mim, mesmo diversas vezes sendo advertido de usar mal o meu tempo em coisas vãs, vou prosseguir com meus estudos, consciente de que a busca de um maior conhecimento da palavra de Deus jamais é uma atividade inútil: "Até quando, ó néscios, amareis a necedade? E vós, escarnecedores, desejareis o escárnio? E vós, loucos, aborrecereis o conhecimento?" (Provérbios 1.22)

[1] Citado por Mark Futato em Basic Hebrew for Bible Study, disponível na seção Recursos do software Bible Works.

[2] Os usuários do software Bible Works 6 e 7 encontram também em Resources-Hebrew Grammar, a excelente gramática para iniciantes do Dr. Mark Futato: Basic Hebrew for Bible Study. Também se encontra disponível a obra de William Davis: Beginner’s Grammar of The Greek New Testament.

[3] William D. Mounce, Fundamentos do Grego Bíblico (São Paulo: Vida, 2009), 4.

[4] Ver, por exemplo, a análise feita por Daniel Wallace em Greek Grammar Beyond the Basics, pp. (disponível no Bible Works 6 e 8).

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